quinta-feira, 26 de maio de 2016

A alma dói e o corpo grita.


Vilsa Corrêa
Professora de Língua Portuguesa – EEEM Cilon Rosa

É chegado o tempo de imergir nas profundezas veladas de um sorriso acolhedor, entender a composição do meu professor. Urge o olhar no olhar, sem titubear. Perceber que ali há uma subsistência negada, um almoço desenhado no sanduíche e um pé calejado de tanto andar. Ler o que não está escrito, mas enxergamos, agora, precisamos parar de ignorar. Isto responde a pergunta certeira: Por que fazer greve?
Tudo que nasce de um conflito é dolorido, angustiante, amedrontador, no entanto, personifica uma nova forma de dar aulas, pois reflete sobre a consciência política e a necessidade de quebrar paradigmas sociais. Assim, neste momento de luta por direitos, conquistamos a tão almejada greve unificada, professores, funcionários, pais e alunos irmanados pela mesma causa, não querem mais ser silenciados por governantes e, tampouco, pertencer a uma classe esmagada por eles.
Desta forma, juntam-se e compõem um grupo coeso de pessoas conscientes, como diz Paulo Freire: “A pessoa conscientizada tem uma compreensão diferente da história e do seu papel nela. Recusa acomodar-se, mobiliza-se, organiza-se para mudar o mundo”.
È com esta visão que somos lançados ao enfrentamento a quem nos oprime. Enviamos para longe o nosso grito de socorro, ficamos acorrentados na união de forças, que nos faz fortes e torna maviosa a nossa voz de angústia e desespero. Tudo é movido por uma dor antiga que vai invadindo a alma, destruindo sonhos e tirando o chão. O pior de tudo é que fizemos barulho, chamamos atenção, mas estamos frente a um governo déspota que tira o miolo do nosso pão e, mesmo assim, exige que sejamos felizes. Somos grevistas, por quê?









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