Vilsa
Corrêa
Professora
de Língua Portuguesa – EEEM Cilon Rosa
É
chegado o tempo de imergir nas profundezas veladas de um sorriso
acolhedor, entender a composição do meu professor. Urge o olhar no
olhar, sem titubear. Perceber que ali há uma subsistência negada,
um almoço desenhado no sanduíche e um pé calejado de tanto andar.
Ler o que não está escrito, mas enxergamos, agora, precisamos parar
de ignorar. Isto responde a pergunta certeira: Por que fazer greve?
Tudo
que nasce de um conflito é dolorido, angustiante, amedrontador, no
entanto, personifica uma nova forma de dar aulas, pois reflete sobre
a consciência política e a necessidade de quebrar paradigmas
sociais. Assim, neste momento de luta por direitos, conquistamos a
tão almejada greve unificada, professores, funcionários, pais e
alunos irmanados pela mesma causa, não querem mais ser silenciados
por governantes e, tampouco, pertencer a uma classe esmagada por
eles.
Desta
forma, juntam-se e compõem um grupo coeso de pessoas conscientes,
como diz Paulo Freire: “A pessoa conscientizada tem uma compreensão
diferente da história e do seu papel nela. Recusa acomodar-se,
mobiliza-se, organiza-se para mudar o mundo”.
È
com esta visão que somos lançados ao enfrentamento a quem nos
oprime. Enviamos para longe o nosso grito de socorro, ficamos
acorrentados na união de forças, que nos faz fortes e torna maviosa
a nossa voz de angústia e desespero. Tudo é movido por uma dor
antiga que vai invadindo a alma, destruindo sonhos e tirando o chão.
O pior de tudo é que fizemos barulho, chamamos atenção, mas
estamos frente a um governo déspota que tira o miolo do nosso pão
e, mesmo assim, exige que sejamos felizes. Somos grevistas, por quê?
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