quinta-feira, 26 de maio de 2016

Educação e transformação social




A Educação pública, se encarada como ferramenta de transformação social (voltada para a construção coletiva de conhecimento), pode ser base fundamental para impulsionar o esclarecimento da classe trabalhadora (a maior parte da população, a força de trabalho que realmente gera riqueza e sustenta toda a sociedade, mesmo submetida à exploração, sob a égide de um modo de produção - o capitalismo - calcado na hierarquia de poder e desigualdade).
Escolas precisam ser espaços de diálogos constantes, lugares propícios para o desenvolvimento intelectual e emocional, onde a arte, a filosofia e as ciências (como produtos da criatividade, imaginação e racionalidade humana) devem ser permanentemente moldadas pela colaboração e interação de todos, em construção coletiva, erigida sobre a herança cultural universal da humanidade.
O desenvolvimento da autonomia racional e criativa da pessoa humana deve ser o objetivo máximo de toda a educação, destacando sempre que tal só pode efetivar-se na interação harmoniosa, construtiva e cooperativa entre indivíduo e sociedade.
Sabemos que, no contexto do capitalismo (internacionalizado no processo de globalização), a educação sofre submetida aos ditames do mercado, o qual força o Estado a servir aos interesses da classe que hoje ainda controla os meios de produção e a mídia privada.
Uma educação para formação de mão de obra “acrítica e passiva” é a consequência da implementação dos projetos liberais (no âmbito econômico), combinados ao conservadorismo no campo da política institucional, que pesa e tenta moldar a sociedade através do poder estatal, somado à forte influência da ideologia propagada por intermédio dos meios privados de comunicação de massa. Romper com esse “esquema de controle e adestramento de comportamentos”, que impede o florescer da consciência de classe entre os(as) trabalhadores(as) e poda o pleno desenvolvimento intelectual de milhões de pessoas, é tarefa urgente!
Precisamos lembrar que, sem ação colaborativa, sem soma de forças, é inviável a luta contra o poder da classe dominante, que controla direta e indiretamente o Estado. De forma isolada, não podemos avançar muito na luta. Embora toda ação individual seja extremamente relevante, é coletivamente que vamos, de maneira efetiva, transformar a realidade.
Como professores(as) e funcionários(as) de escolas, temos responsabilidade no processo de tomada de consciência da classe trabalhadora, pois estamos em contato direto com a propagação do conhecimento científico, filosófico e artístico nas escolas públicas que atendem os filhos das famílias de trabalhadores (as). Participamos de uma etapa importante no desenvolvimento intelectual desses jovens, os quais, depois, irão ingressar nas universidades e no mundo do trabalho, onde poderão se aprofundar, ainda mais, na construção de conhecimento científico em prol da humanidade e nas lutas da classe trabalhadora da qual fazem parte.
Não podemos, jamais, esquecer nossa tarefa de colaboração na formação de sujeitos críticos, esclarecidos, autônomos e cientes do papel que cumprem na sociedade, como membros ativos da comunidade humana, visando à construção de uma sociedade livre e igualitária.
Paulo Vinícius Nascimento Coelho
(Professor de Sociologia e Filosofia – EEEM Cilon Rosa)





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